Eu Li – Liberta-me

terça-feira, 18 de março de 2014
Se no primeiro, Estilhaça-me, importava garantir a sobrevivência e fugir das atrocidades do Restabelecimento, em Liberta-me é possível sentir toda a sensibilidade e tristeza que emanam do coração da heroína, Juliette. Abandonada à própria sorte, impossibilitada de tocar qualquer ser humano, Juliette vai procurar entender os movimentos de seu coração, a maneira como seus sentimentos se confundem e até onde ela pode realmente ir para ter o controle de sua própria vida. Uma metáfora para a vida de jovens de todas as idades que também enfrentam uma espécie de distopia moderna, em que dúvidas e medos caminham lado a lado com a esperança, o desejo e o amor.

Autora: Tahereh Mafi
Título Original: Unravel me   
Série: Estilhaça-me (#2)
Editora: Novo Conceito
Capa: Jorge Parede
Tradutor(a): Bárbara Menezes
Editor: Edgar Costa Silva
ISBN: 978-85-8163-235-3
Páginas: 448
Skoob

Estou olhando para meus pés e minhas mãos e essas paredes e quero gritar. Quero fugir. Quero cair de joelhos. Quero amaldiçoar o mundo por ter me amaldiçoado, por me torturar, por tirar a única coisa boa que já conheci e estou cambaleando para a porta, procurando uma saída, para escapar desse pesadelo que é minha vida e...
Capítulo 14; Página 95.


Juliette enfim conseguiu fugir do Restabelecimento com Adam, James e Kenji. Ela achou que agora seria vida nova, e que seria muito feliz no Ponto Ômega. Mas as coisas não estão indo bem. Ela não fez nenhum amigo ainda, sempre almoça com Adam e Kenji, e percebe todos os olhares tortos para ela, a pessoa que pode matar se tocar em qualquer um deles. E por falar em Adam, bem, até mesmo ele anda distante e estranho nos últimos tempos.

Mas Juliette também tem que honrar seus compromissos, que é apenas de desenvolver seus poderes. Está claro que seu dom vai muito além de apenas matar pessoas, e é isso que Kenji a está ajudando fazer, enquanto Adam fica quase que todo tempo em um dos laboratórios que é proibida a entrada dela. Só que a moça não está indo bem em usar seus poderes, e depois de descobrir porque Adam anda distante, tudo piora.

Ela não imaginara que as coisas realmente pudessem piorar. Está travando uma batalha dentro de si mesma contra seus sentimentos, e também descobrindo novos. Mas ela tem de ser forte, porque o eles precisam dela, há uma guerra muito maior lá fora, e em algum momento ela terá de lutar. Mas será que ela está realmente pronta para isso?

Depois de terminar Estilhaça-me eu quase enlouqueci quando percebi que teria de esperar tanto tempo pra ler Liberta-me. Sim, porque eu amei o livro, e não via a hora de poder saber que rumo a história tomaria. E eis que ao ler Liberta-me, pude perceber que o que Tahereh mais gosta de fazer, é estilhaçar nossos coraçãozinhos em mil pedaços.

A narrativa da autora continua deliciosa, diferente e única. O livro é narrado em primeira pessoa, e só a Tahereh tem essa forma simples, bela e deliciosa de contar cada passagem do livro. Por vezes, tive a sensação de que tinha em mãos apenas devaneios de uma mulher que passou por mal bocados. E é isso que faz a escrita da autora mágica. As palavras, em minha humilde opinião, soam como poesias e nos faz refletir sobre muita coisa de forma simples, mas profundamente.

O amadurecimento pelo qual os personagens passaram do livro anterior para este, também e outro ponto que merece ser ressaltado. Temos uma Juliette confusa, mas mesmo assim ciente da sua função. Claro que como qualquer adolescente, ela tem uns momentos de mimimi, mas, no geral, é alguém com quem o leitor vai se apegar ainda mais. Neste livro também conhecemos melhor dois personagens, Kenji e Warner. O que posso dizer? Tahereh é uma autora capaz de te fazer odiar, depois amar e logo após odiar novamente certo personagem. Mas eu tenho a impressão de que algumas pessoas pararam no amar.

A autora sabe muito bem como fazer o leito virar para a página seguinte, e posso dizer que os capítulos curtos são, em parte, responsáveis por isso. A ação está tão bem dosada que entra em total harmonia com todo o resto. A autora é criativa, perspicaz e acredite, bastante má. Você lê, lê mais um pouco, sofre pelo que acontece a cada página, tem um descanso e logo em seguida, ela traz mais ação, e quando você está no ápice, o livro acabo e sua vontade é de gritar. Quando virei a página e vi que a próxima estava em branco, não acreditei.

Então, depois de terminar Liberta-me, o que senti foi um vazio enorme, e uma vontade intensa de ler o próximo livro, para saber o que vai acontecer. Não tenho dúvidas de que o último livro da trilogia promete e vai trazer ótimas surpresas para os leitores.

Eu não gostei da capa, a editora com certeza poderia ter feito algo melhor e mesmo assim manter o estilo. Diferentemente do livro um, a revisão deixou a desejar, encontrei vários erros, o que me deixou bem triste. A diagramação é bem bacana, com desenhos legais no inicio dos capítulos e as letras estão um tamanho muito bom pra leitura.






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