Eu Li – Crime na Feira do Livro

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um crime assusta os frequentadores da Feira do Livro de Porto Alegre: um conhecido "garimpador" de livros raros é morto a tiros momentos após a abertura. De suas mãos desaparece um exemplar misterioso, trocado por outro segundos depois do crime. Com o caso entregue a uma delegada sensual, porém suspeita, e a partir da entrada na história da integrante de uma estranha confraria sediada no Bom Fim, o detetive Walter Jacquet não vê outra alternativa e resolve investigar o assassinato. A partir dessa decisão, segue por entre cenários culturais porto-alegrenses e se envolve com personagens reais e fictícios em busca da verdade escondida - literalmente - nas entrelinhas e ruas da cidade.

Autor: Tailor Diniz
Título Original: Crime na Feira do Livro
Série: -
Editora: Dublinense
Páginas: 136
Skoob

Os gritos da mulher chamavam a atenção de outras pessoas, mesmo das mais distantes. A curiosidade humana é algo implacável, principalmente quando a desgraça é dos outros. Atrás de um estande destinado ao trabalho de leitura com crianças, sob os andaimes d emadeira, Joãozinho e Jacquet puderam ver, estendido na calçada, escorado numa tábua, o corpo de um homem assassinado a tiros.
Capítulo 1; Página 11.


O detetive Walter Jacquet está passando férias no Brasil, mais especificamente em Porto Alegre. Está hospedado na casa do seu amigo de infância João Macedônio. É numa tarde no primeiro dia da Feira do Livro, que ambos quase presenciam um assassinato. Um garimpador de livros raros, Adavilson Doceiro, é morto a tiros. Quem presencia tudo é uma amida do morto, que grita desesperada por socorro. Não demora e sexy delegada Florença Flores entra em ação para assumir o caso.

De início, todos pensam que fora um assalto, mas a testemunha insiste em dizer que o livro que estava a não do morto, não era o mesmo que ela o viu segurando antes de sua morte. Esse fato faz com que a cabeça de Walter trabalhe incessantemente naquele mistério. Alguém se entrega para a polícia assumindo a culpa, mas o detetive não acredita nisso, e então, ele vai se emprenhar para resolver esse caso que já está lhe tirando o sono. 

Quando é um caso que não tem por trás uma grande pressão da opinião pública, quando não é um caso de grande repercussão, que envolva personalidades públicas ou muito dinheiro, o mais cômodo para a polícia é resolver a questão do jeito mais fácil. Sem muita incomodação.
Capítulo 4; Página 29.

Eu solicitei esse livro pra editora Dublinese porque a sinopse me deixou bem curioso. Um crime na feira do livro? Devia ser uma ótima leitura e por mais que o livro seja fininho, não chegando nem nas cento e cinqüenta página, eu fiquei muito contente com o que encontrei nas páginas dessa história.

Em se tratando dos personagens, por ser um livro fino, não podemos conhecer mais a fundo cada um. Mas é claro que o autor, pra nos fazer ter uma afinidade com algum deles, sempre buscava apresentar fatos do passado, isso para gerar certa empatia. O nosso detetive é um cara inteligente, forte e bastante centrado, uma ótima mistura e que não tem como não agradar. Seu amigo, que não é da mesma área de Walter, é simples, e muito bem humorado. Encontramos também Inácia, empregado de Joãozinho, que é uma personagem que conhecemos pouco, mas que eu criei um pouco e afinidade.

Um elemento bem presente é o humor. O autor uso isso pra deixar a história bem mais leve, e sempre que a narrativa está para criar um clima tenso, algum personagem nos faz rir. Isso me agrada em partes. Pra mim, não pode parecer nada forçado ou exagerado, e para minha surpresa não ficou. Com isso, a narrativa do autor se torna leve e bem corrida, é um livro para se ler em uma sentada e experimentar várias sensações diferentes. Outro ponto positivo é a mistura de referencias reais com fictícias. Se tem algo que me deixa fascinado é isso, tanto que após a leitura eu sempre vou procurar tudo na internet.

Sobre todo o mistério criado para a morte do Adavilson, posso dizer que ficou legal e bem elaborado. Não é aquela coisa que nos deixa impactados, mais é algo que foi bem construído, que tem uma história bacana por trás, que em momento nenhum fica forçado e que com a sutileza da escrita do autor, agrada muito.

Posso ressaltar como ponto negativo, o fato dos personagens não serem aprofundados. Conhecemos um pouco da vida de cada, porém não é nada que me fez criar uma afinidade completa por nenhum deles. Isso para mim é importante e quando não crio uma afinidade, é como se eu tivesse saído da história com um espaço vazio em mim.

O trabalho gráfico está muito bom. O livro tem folhas amarelas, um ótimo espaçamento para a leitura e uma revisão maravilhosa. Com certeza gostaria de ler mais livros do autor, principalmente com o detetive Walter, que eu quero conhecer mais e acompanhar seus casos.
Crime na Feira do Livro é um suspense policial leve, bem humorado e que conquista pela sutileza da narrativa do autor. O livro leva quatro estrelas.





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