Eu Li – Tabuleiro

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Denso, ágil, profundo e ético, o Tabuleiro é um thriller psicológico muito além da criminologia: também é uma fábula romântica. Óbvio acusar um cidadão albino, adotivo e disposto ao suicídio de ter assassinado uma mulher que o chacoteou, ainda pelo encontrar de uma luva idêntica a que ele calçava quando clicado por uma jornalista, enquanto discutia com a vítima. Mas, e sobre aquela que ele dizia ter apreço? Sua primeira confidente fora encontrada sem os globos oculares, acompanhada por outro cadáver masculino, enunciando sua autoria. A mídia não dizia tudo sobre os atos, e os submissos da imprensa se dividiam em dois grupos pelo período eleitoral: os que acusavam o governo de descaso, e outros que apoiavam a reeleição de Hermes com matérias floreadas, mas a ABIN ainda exigia explicações. Quando o jornalista da CN se une a estatística de nove assassinados no Tabuleiro, trás consigo a evidência de uma rede de conspiração política, que pode mudar o rumo da corrida à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Resta agora, apenas o êxtase pela vitória e o ensejo de manter-se vivo dentro dessa disputa interna. 


- Entendeu o que você fez? – disse Laerte expirando todo o ar dos seus pulmões.
- Liguei para a polícia... O que deveria fazer? Ir até ele e lhe pedir para parar?
- Que ligasse para a polícia, mas não dissesse que eu atirei contra mim mesmo. O que você fez?... Quantos homens albinos que usam luvas brancas você conhece? Ele se passava por mim, e agora me ferrei outra vez.

Capítulo Quatorze; Página 97.



Laerte é um homem albino e está à procura de um emprego. Ele vai até uma loja no shopping, porém as pessoas ali o tratam com preconceito. O homem então perde a cabeça e acaba discutindo no meio de todo mundo, inclusive com uma funcionária, antes de se retirar.

Porém, antes disso, ele está na praia, e chama atenção de Susana, uma advogada que quer escrever um livro sobre pessoas que sofrem preconceito. Eles marcam de se encontrar e por acaso, Laerte volta a encontrar a senhorita que trabalhava no shopping. Ele e a advogada se acertam, só que horas depois a mesma senhorita que o tratou mal aparece morta. Fora brutalmente assassinada, e a única pista que a polícia tem, é uma luva branca.

Os indícios levam a Laerte, que jura não ter feito nada a Rose. Só que horas depois, ele recebe uma encomenda, que contem a faca usada para o crime, assim como a outra luva, ninguém vê, e isso pode incriminá-lo ainda mais. Uma colega que mora com ele na pensão vê e fica assustada. Ele chama Susana que quer ajudá-lo, mas quer saber a verdade. Até mesmo ela parece duvidar dele.

É tão difícil eu resumir a história. A sensação que tenho, é que qualquer coisa que eu disser pode ser algum spoiller. Isso porque os fatos se entrelaçam por todo o enredo, coisa que poucos autores conseguem fazer bem, mas Van conseguiu com maestria.

O livro se passa no Rio de Janeiro, o que dá mais realidade à história. E quem pensa que o livro só se trata de assassinato, está enganado. Nas entrelinhas ou não, podemos assimilar alguns outros pontos, como o preconceito, pobreza e o poder. E sem querer ofender ninguém, isso traz a tona uma realidade brasileira recriada em detalhes no livro.

Os detalhes são outros pontos fortes. O autor faz questão de dar todo o detalhe possível em cada fala, em cada pensamento dos personagens. Nada parece forçado, o que deixa a leitura ainda mais interessante. Os personagens são intensos e passam por situações pesadas. O clima do livro se torna tenso aos poucos, e isso fez com que eu também ficasse tenso.

O enredo é criativo e o autor usou com inteligência muitos fatores que deixam qualquer triller interessante e irresistível. Acreditem, vocês vão se surpreender muito durante a leitura. Me surpreendi com a história, com a narrativa e com o rumo que o autor leva as situações.

Só que, assim como está escrito na capa, o livro é mesmo profundo e muito, muito denso. Essa não é uma leitura para qualquer um. É pesada e forte, e consegui constatar isso nas primeiras páginas. Quando cheguei na página 100, a impressão era que já tinha lido uma 400. Parei e continuei a leitura várias vezes, porque precisava respirar para me jogar mais uma vez na história.

A diagramação do livro também não ajuda muito. As folhas são bancas e as letras são muito pequenas, o que contribuiu para o meu cansaço em vários momentos. Em compensação a capa pra mim é instigante e tem a ver com a história, se ela já dá uma sensação de profunda tensão psicológica, imagine o que você não encontrará dentro.

Por mais que o livro tenha excedido as minhas expectativas, eu me cansei muito durante a leitura, terminei realmente exausto. O livro é bom e eu indico àqueles que gostam de tensão psicológica e de um ótimo triller. Pra mim, o livro leva três estrelas. 



Livro: Tabuleiro
Autor: Van Curtt
Editora: Novo Século



1 Comentário

  1. Adoro ler resenhas antes de partir para o livro, a sua como a de Amanda's Tale - http://amandastale.blogspot.com.br/2013/04/van-curtt-tabuleiro.html são duas incríveis que encontrei na net.
    Quanto ao livro estou começando, espero curti-lo muito, do jeito que o descreveu irei me apaixonar pelo mesmo. Agradeço sua critica foi inspiradora para que começasse de fato com o livro. Parabéns!

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