Eu Li – A Décima Sinfonia

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O mundo da música clássica fica perplexo diante da notícia de que o maestro Roland Thomas encontrou – e reconstruiu – o primeiro movimento da mística décima sinfonia de Beethoven. Entre os convidados de um concerto particular, encontra-se o jovem musicólogo Daniel Paniagua que, encantado com a qualidade excepcional da música, questiona se o músico de Bonn vencera a “maldição da décima” – crença de que os grandes músicos redundam em fracasso ao ultrapassar a marca da nona obra. O enredo se complica com o assassinato de Roland Thomas, encontrado, horas depois do concerto, com a cabeça decepada e um pentagrama tatuado no crânio. Pelo profundo conhecimento da vida e obra de Beethoven, Daniel é chamado pela polícia para ajudar a desvendar o caso. As respostas para desvendar o enigma de A décima sinfonia estão no passado confuso de Beethoven, e em um amor proibido e oculto… até agora.


- Em 1997, um musicólogo norte-americano chamado Campbell, como a sopa, publicou um livro controverso chamado O Efeito Mozart, no qual popularizava a teoria de que ouvir Mozart, em especial os concertos para o piano, aumentava temporariamente o quociente intelectual. Como Beethoven é Mozart elevado ao cubo, sustento que ouvir a musica de Beethoven é três vezes mais eficaz.
- Eficaz para que?
- Para tomar decisões fundamentais na vida, como se casar.
- Você está insinuando que se eu ouvir Beethoven durante alguns dias ficarei mais esperto e isso me levará a cancelar o casamento?
Capítulo 3; Página 23.

Quando o musicólogo Daniel Paniagua é chamado por seu chefe de departamento na universidade em que ensina, já pensa que há algo errado. Porém, seu chefe Durán lhe explica que o grande músico Roland Thomas irá tocar na casa de um antigo amigo. A apresentação se tratará da reconstrução da Décima Sintonia do famoso Beethoven, cujo algumas pessoas acreditam que o músico tenha terminado antes de morrer. Como Durán não poderá ir, ele presenteia Daniel com seu convite, fazendo com que ele seja seu espião no concerto. O musicólogo se mostra bastante interessado, uma vez que é um grande estudioso de Beethoven.

Chegando ao concerto cheio de desconhecidos, ele espera ansiosamente pelo começo, e quando Thomas inicia sua apresentação, Daniel se mostra imensamente surpreso, uma vez que reconhece muito do próprio Beethoven durante o concerto. Será que Thomas conseguiu realmente encontrar o manuscrito da Décima Sinfonia e está dizendo que aquele ato é apenas uma reconstrução sua? Para constatar, ele tenta conversar com o músico ao final da apresentação, porém é dispensado por ele porque aprece um compromisso.

Porém, no dia seguinte a notícia de que Thomas foi decapitado chega a seus ouvidos. Então a Juíza do caso o chama para ser perito, uma vez que o morto tem uma tatuagem encriptada através de notas musicas na cabeça. Agora, Daniel tem de ajudar a polícia no esclarecimento de algumas provas. Em contra partida, sua vida pessoal se mostra virada de pernas pro ar, quando sua namorada lhe informa uma gravidez que não era desejada.

Este é o primeiro livro que resenho em parceria com a Primavera Editorial. Este livro me chamou atenção por essa capa linda e pela sinopse que é bem interessante. Trata-se de um livro investigativo, gênero que adoro ler. Não tinha muitas expectativas e no fim me rendi à escrita do autor.

A narrativa é toda em terceira pessoa e bem instigante. O autor sabe muito bem como levar o leitor a sempre querer mais e mais informações e não largar o livro até o final. Ele tem um jeito peculiar, que deixa o leitor interessado durante todo um capítulo e no ultimo parágrafo faz surgir uma curiosidade inigualável sobre o que virá em seguida. Com isso, você lê capítulo após capítulo, passa toda uma noite em claro e quando menos espera o livro termina deixando uma sensação maravilhosa de trabalho bem feito.


Beethoven se apresenta à residência do príncipe Lobkowicz, seu grande mecenas, com uma música que dizia ao auditório: “Sei compor como Mozart, mas vou além, porque sou Ludwig van Beethoven”.
Capítulo 3; Página 25.


Os personagens são bem construídos e possuem características bastante interessantes. O autor me cativou com todos eles, eu realmente gostei de todos, mesmo sabendo que o assassino estaria entre eles. Isso mostra como ele é capaz de criar uma ótima atmosfera de equilíbrio entre os personagens e destruir isso de repente com uma revelação inesperada. Dessa vez, não consegui descobrir o assassino antes do esperado pelo autor. E mais essa característica em sua narrativa me deixou vibrando.

Outro ponto positivo é que a obra é mais que uma construção para entretenimento. Junta-se a isso, uma viagem inacreditável a história de Beethoven e outros grandes nomes da música. Sempre que pode, o autor cita algum acontecimento histórico e nunca fugindo ao tema principal do livro.

A capa do livro é maravilhosa, a diagramação simples e não encontrei nenhum erro de revisão. Quero também ressaltar a impressão que eu tive de que esta obra tem uma tradução magnífica. Não li o original em espanhol – sim, o autor é espanhol     *-* - mas a sensação de um trabalho de tradução bem feito me perseguiu até o fim da leitura.

A Décima Sinfonia é cativante, tem uma narrativa deliciosa, um final agradável e dá a seu leitor, uma viagem alucinante na história da música. O livro leva cinco estrelas e entra para a minha lista de favoritos.




Livro: A Décima Sinfonia
Autor: Joseph Gelinek
Editora: Primavera Editorial

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