Eu Li – O Peregrino

sexta-feira, 29 de junho de 2012
O romance O Peregrino – Em busca das crianças perdidas, de Tibor Moricz, fala de duelos heroicos, amizade e coragem. Fala também de cobiça, ódio e perseguição. Narra a jornada de um homem em busca de crianças perdidas, de pistas para esclarecer seu passado misterioso e de suas próprias e assustadoras verdades. Para lá do Posto de trocas do Finnegan, para lá da Garganta do enlouquecido (muito cuidado aos que forem atravessá-la), existem três cidades. Em duas, Downtown e Middletown, os cidadãos vivem massacrados pelo jugo totalitário imposto por Uptown, a terceira delas. De Uptown vêm abutres terríveis, delegados simbiontes mortíferos e fantásticos mecanismos cujas funções extrapolam a mais fértil imaginação. Só uma coisa une todas as cidades: a crença na vinda de um homem, na vinda de um salvador. A crença na vinda do Peregrino. Ambientado no meio oeste norte americano nos idos de 1870, este romance promete tudo, menos tédio. Com ritmo narrativo intenso e final surpreendente, O Peregrino tem tudo para ser um dos principais lançamentos do ano dentro da literatura de gênero nacional.



Nada mais era que um pobre coitado, vindo de uma caverna, acompanhado por um grupo de velhotes mais mortos que vivos e com uma missão bizarra e fadada ao insucesso.

Capítulo 21; Página 134.




O livro se passa em meados de 1870, onde, além do Posto de Trocas de Finnegan, existem três cidades: Middletown, Downtown e Uptown. Nas duas primeiras, os cidadãos vivem massacrados pelo totalitarismo imposto por Uptown. E de lá, vem abutres horrendos, delegados simbiontes – meio humanos, meio máquinas – e mecanismos cujas funções extrapolam a mais fértil imaginação.

Os cidadãos de Middletown e Downtown, acreditam em uma lenda antiga que diz que um homem chamado de Peregrino, virá para resgatar as crianças que Uptown roubou das duas cidades, e restabelecer a paz e o sossego. Então, quando um forasteiro vindo de uma caverna distante e que foi capaz de matar Finnegan – temido por muitos e um dos simbiontes de Uptown – chega a Middletown, uma chama de esperança de que enfim o verdadeiro Peregrino chegou.

O homem desmemoriado, que só se lembra de ter acordado na caverna ao lado de sua Colt 45 que parece mágica, aceita o fardo de procurar as crianças, porém o que realmente ele quer, é a riqueza que pensa que terá na sua volta. Só que muitas descobertas estão pela frente, e o Peregrino irá descobrir quem realmente é e se confrontar com os fantasmas do seu passado.

O livro tem uma narrativa em terceira pessoa e bem rápida, podemos perceber isso vendo que ele possui pouco menos de 200 páginas e narra a trajetória de um homem que passa em três cidades importantes para a história. Cada chegada e partida são cheias de ação, o que não falta no livro. A cada página conhecemos uma nova história de algum personagem, isso, tirando o fato de que fiquei curioso para saber quem era na verdade o homem que todos chamavam de O Peregrino. Isso foi um modo interessante de prender a atenção do leitor.

Temos personagens dos mais variados estilos. Só que todos corrompidos pelos tempos difíceis em que vivem. E muito provavelmente isso me fez gostar da história. Nada de personagens bobinhos, que não sabem o que fazem, ou que não lutam por medo de machucar alguém. Os personagens são sérios, maduros e não se acanham em empunhar uma arma e atirar. Uma boa mistura com a narrativa.

A capa é bem simples, não posso dizer que me agradou totalmente, mais transmite muito bem a essência do livro. A diagramação é bem legal. Como o livro é dividido em ciclos, essas páginas introdutórias dos ciclos são pretas. E durante os capítulos, separando algumas senas, temos o desenho da arma usada pelo Peregrino. A revisão está de parabéns, não encontrei nenhum erro, e isso me deixou bem feliz.

Para mim, os pontos negativos foram três. O primeiro deles e o que para muitos pode não ser, é a presença de palavras difíceis durante a narrativa. Sim tive que recorrer ao dicionário muitas vezes, porque essa: 0.0 era a minha cara sem saber minimamente o que poderia significar algumas palavras. Tudo bem, conhecer novas palavras é sempre bom, mas isso me incomodou e eu, sinceramente não me vejo usando essas palavras. Segundo, o livro é narrado no ponto de vista de muitos personagens, e isso pode confundir o leitor, e chegou a me confundir. Tinha que voltar várias vezes para saber de qual ponto de vista era a narrativa, e olha que eu sou um leitor atento. E por ultimo o final. Ficou bastante confuso, não vou dizer nada aqui porque seria spoiler, só posso dizer que eu fiquei confuso.

Mesmo assim eu gostei do livro. O autor inovou, usou características diferentes em uma história cheia de ação, mistério e que não posso negar, me prendeu e excedeu minhas expectativas. Com isso, o livro leva três estrelas.



Livro: O Peregrino
Autor: Tibor Moricz
Editora: Draco

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