Eu Li – O Espião: Uma Aventura de Isaac Bell #3

quinta-feira, 5 de abril de 2012
É 1908 e acumulam-se tensões internacionais enquanto o mundo caminha inexoravelmente para a guerra. Após um talentoso projetista de canhões de couraçados morrer em um aparente suicídio, sua filha, angustiada, recorre à lendária Agência Van Dorn para limpar o nome do pai. Van Dorn põe seu principal investigador no caso, Isaac Bell, que logo percebe que as pistas apontam não para suicídio, mas para assassinato. E quando se seguem outras mortes mais suspeitas, fica evidente que alguém — um ardiloso espião — está orquestrando a eliminação das mentes tecnológicas mais brilhantes... Mas isso é apenas o começo.


O animal era incrivelmente forte. Cada centímetro, em todo o seu comprimento, contorcia-se com uma força rija e espasmódica enquanto lutava para se soltar da mão e procurava atacá-lo de novo. As presas achavam-se voltadas para dentro da cabeça, em formato de flecha. O veneno amarelo escorria das mandíbulas escancaradas. Bell pensou ter visto em seus olhos um brilho de triunfo, como se a serpente estivesse segura de que o veneno morta já vencera a batalha e que sua presa morreria em questão de minutos. Respirando afobado, Bell procurou com a mão livre a faca dentro da bota.
- Lamento desapontá-la, senhora Serpente. Mas você cometeu o erro de enterrar suas presas no meu coldre de ombro.
Capítulo 20; Página 152.



Quando fiquei sabendo do lançamento deste livro eu fiquei frenético. O livro junta duas coisas sobre as quais eu amo ler, espionagem e detetive. Por isso fiquei contando os dias para o lançamento, e assim que ele chegou, não perdi tempo e comecei a leitura, e confesso que foi muito prazeroso.

Após o aparente suicídio do projetista americano Arthur Langner, sua filha recorre a famosa agência de detetives Van Dorn, para que o nome de seu pai seja limpo, pois a garota não acredita que ele tenha cometido suicídio. O senhor Van Dorn, coloca seu melhor detetive em ação, o inteligente Isaac Bell, que de início não acredita na inocência dele.

Só que Bell não é qualquer detetive e com a ajuda da agência, percebe que tudo aponta a um assassinato, ainda mais quando ocorrem outras mortes de pessoas importantes e brilhantes na construção de navios para a Marinha. E no meio desta investigação, Bell vai descobrir que as coisas são ainda maiores, e que no meio de tudo isso há espiões japoneses, alemães e britânicos. Quem será a mente por trás de todos esses assassinatos e qual sua intenção?

Uma palavra que descreveria esse livro? Incrível. Não há outra palavra que eu possa usar e que vá expressar o que eu senti quando acabei a leitura. Começando pelo que sempre pode me fazer amar ou odiar o livro de cara, posso dizer que essa capa se tornou uma paixão. Essa mistura de preto, branco e vermelho me agradou, e as imagens da capa tem tudo a ver com a história. A narrativa é envolvente, mesmo que tenhamos que ler o livro com calma, para não deixar dúvidas ou confusões sobre a história nas nossas cabeças, e devo dizer que muitos trechos podem ser assim, esse é um livro que tem de se ler com calma para não deixar passar nada. Isso se você for como eu que sempre tenta descobrir tudo antes dos detetives.

A narrativa é em terceira pessoa, e podemos ver vários ângulos da história, principalmente o que se passa na cabeça dos bandidos. Eu pelo menos sempre gosto de saber o que os motiva a ter tais atitudes. Os personagens foram muito bem moldados. É bem difícil eu gostar de algum personagem principal, na maioria das vezes me envolvo mais com os secundários. Só que se encantar com a inteligência e o pensamento calculista de Bell é quase inevitável.

E como por trás de todo grande homem, sempre há uma grande mulher, somos apresentados a noiva de nosso personagem, Marion. Ela é outra personagem inteligente, e que faz jus ao posto que ocupa na vida de Bell. É claro que muitos outros personagens nos são apresentados, mais por hora, cito apenas esses dois. O livro se passa em 1908, e posso dizer que com as descrições de personagens e lugares, pude me sentir nesta época. Tenho uma queda pela época em que os homens andavam de ternos e as mulheres com seus vestidos glamurosos. Então, saber mais e me sentir ali, foi muito bom.

Só que algumas coisas me incomodaram durante a leitura. Senti falta de notas de rodapés. O livro foca muito a área da construção de navios, então haviam muitos nomes que eu não sabia o significado. Isso ajudaria bastante, porque fui várias vezes no dicionário online. Outro ponto, e digo que foi a primeira vez que encontrei em livros da  Novo Conceito, foram alguns erros de revisão, poucos na verdade, mais encontrei.

Com diálogos inteligentes, enredo envolvente e um mergulho no mundo da espionagem, o livro entra para a lista de meus favoritos do gênero, mesmo não tendo nota máxima por causa do que citei acima.



Livro: O Espião – Uma Aventura de Isaac Bell
Autor: Clive Cussler e Justin Scott
Editora: Novo Conceito

Nenhum comentário

Postar um comentário

 
Desenvolvido por Michelly Melo.