Entrevista com Marcelo Paschoalin

terça-feira, 27 de setembro de 2011
Marcelo Paschoalin, nasceu em Santo André-SP, é casado e formado em Psicologia, costuma dizer que sua profissão é escritor, tendo com hobby o trabalho diário. É autor dos romances de fantasia "Eriana - Filha da Morte e Vida" , " A útlima Dama do Fogo" e dos RPGs " Anel Elemental: o Legado", "1887: Sob o sol do Novo México", "Anel Elemental: a Nova Era", "Aventura e Magia" e "Dark Fate" - este último publicado em inglês.
Paschoalin se orgulha de ter escrito boa parte de seus livros usando um smartphone - deixando a tarefa de diagramação para o final em seu desktop. Quando você o vir, provavelmente ele estará digitando algo em meio à vida cotidiana.
"Não somos aquilo que fazemos, nem somos aquilo que nos é atribuído - ao sermos, marcamos no mundo nossa presença, revelando-nos pouco a pouco de maneira que talvez não saibamos compreender", afirma Paschoalin.

Quando começou a escrever?
Desde os 13 anos brinquei com as palavras, escrevendo proto-romances. A ideia partiu da vontade de colocar no papel as histórias que só eu sabia. De início não imaginava que meus escritos chegariam a ser publicados, mas segui em frente contando as histórias que me eram caras, até que, finalmente, eu tive material suficiente para poder chamar de livro. Meu primeiro livro foi publicado em 2001 e, desde então, não parei mais.
A busca pela inspiração é a preparação, seja ouvindo música, assistindo a filmes ou lendo. Mas as histórias não nascem porque eu quero escrevê-las - ao contrário, elas tomam vida própria antes de eu escrever a primeira palavra, ao ponto de, ao me decidir realmente escrever, a narrativa flua por si só. Houve bastante pesquisa prévia para escrever "A última Dama do Fogo", mas "Eriana - Filha da Morte e Vida" surgiu como algo mais espontâneo.

Como surgiu a idéia para escrever "Eriana - Filha da Morte e Vida"?
Eriana surgiu da minha vontade em escrever algo acerca de uma sacerdotisa que louvasse um dos oito deuses do "mundo de Andora", nome do meu universo fantástico. Eu não tinha nada planejado além disso, e
deixei que a história seguisse seu rumo sozinha.

Quais foram as dificuldades encontradas na procura por uma editora? E como você vê o mercado literário, para jovens escritores?

Meus primeiros livros foram publicados por uma editora comercial, então tive todo aquele processo de aguardar a análise, na expectativa de gostarem do que eu tinha colocado no papel. Foi escrever, revisar,
encaminhar, aguardar, receber uma ligação falando do livro e convidando para uma reunião, assinar o contrato, ter o livro em mãos. Com os livros de publicação independente, o processo é diferente, mas a sensação é sempre a mesma: ver o livro impresso em mãos, podendo folheá-lo, é como ter uma parte de você mesmo, antes intangível, em suas mãos.
Hoje o mercado é receptivo aos jovens escritores. Mas, para ser um escritor, não basta apenas começar uma história: muitos se lançam à jornada da escrita, mas a maioria não termina seus livros - e editora
alguma vai apostar em alguém que não tenha terminado sua narrativa.

Quais são suas influências para escrever?

Todos os livros que já li influenciaram bastante na minha escrita, pois tudo o que lemos fica conosco, de uma maneira ou de outra. Além dos meus autores favoritos, li muito da coleção “Para gostar de ler” e passei tardes maravilhosas com livros da coleção “Vaga-lume”. Ignorar essa tradição literária é perder parte do que me tornou leitor e, consequentemente, escritor.
As dificuldades principais foram os eventuais bloqueios na escrita. Bloqueios são frustrantes demais, mas ajudam de uma maneira que não percebemos à primeira vista: eles nos permitem revisitar nossos
escritos para que possamos lapidar nossas narrativas. Contudo, isso não tira a sensação de impotência quando paramos no meio de um parágrafo ou não sabemos como colocar no papel o que consideramos
crucial para a narrativa.
Minha maneira de lidar com eles é dar tempo ao tempo. Não é à toa que “A última Dama do Fogo” demorou dez anos para ser escrito desde que o primeiro capítulo tomou forma - porém, isso fez com que a história envelhecesse como um bom vinho, permitindo que a personagem se desenvolvesse no seu próprio ritmo, tornando-se real.
Eriana é uma sacerdotisa de Gwyanna, a deusa do ciclo da Morte e Vida.
Quando chega a uma abadia aparentemente abandonada, guiada por sonhos, ela resolve investigar, encontrando muito mais do que supunha ali existir: amizades, traições, esperança, fé... e mais. Somente sua
deusa pode dar ou tirar a vida de alguém, mas até mesmo esse conceito divino é ali desafiado.
O livro é uma narrativa rápida, em formato pocket, e está disponível em http://bit.ly/Lojinha

Como foi a aceitação do público ao livro A Última Dama do Fogo? E fale um pouco desse seu livro?
Nunca pensei que fosse me emocionar tanto, mas toda vez que um leitor chega a mim dizendo o que achou do livro eu me encanto ainda mais. É por causa desses queridos leitores que a continuação da saga foi escrita e será publicada em breve. A última Dama do Fogo é um romance de fantasia que se passa num mundo pseudo-medieval - o mesmo descrito em Anel Elemental: o Legado e expandido em Anel Elemental: a Nova Era - onde a magia tem um papel misterioso, mas importante. E é nesse mundo que encontramos Deora, uma náufraga, prestes a iniciar uma jornada que a levará por um caminho de autodescoberta. Essa jornada, que carrega um valor simbólico que será único para cada leitor, forja-la-á por meio da chama, fazendo com que ela renasça para uma nova realidade, uma na qual o conhecimento místico a permitirá dominar a essência da magia flamígera.

Quais são suas pretensões para o futuro? Ja há planos para outros livros?
Sempre! A antologia "Eu Acredito: Fadas e Duendes" que organizei deve ser lançada em meados de novembro. Além disso, estou confirmado como autor nas antologias "Olympus: Histórias da Mitologia", "Histórias Fantásticas 3" e "Histórias Fantásticas 4". Mas tenho já novidades acerca da continuação de "A última Dama do Fogo": entre outubro e novembro será lançada, junto com uma edição especial com os dois volumes num só.

Deixe um recado para outros jovens que estão escrevendo ou pensam em escrever um livro. 
Leiam. Escrevam. Leiam mais. Se gosta de poesia, leia prosa também. Se gosta de fantasia, leia realismo. Se gosta de romance, leia biografias. Leia o que gosta e o que não gosta, e aprenda com tudo isso. E, então, escrevam. Sua escrita será mais madura quando vocês tenham lido de tudo.Muito obrigado por me conceder a oportunidade de falar um pouco sobre mim e sobre meus livros. O papel dos blogs literários na divulgação das obras nacionais é fundamental, e você tem feito esse trabalho com maestria.

2 comentários

  1. Amei a entrevista e conhecer melhor o processo criativo e a carreira de Marcelo, meu padrinho literário! hahahaha
    um abraço e sucesso aos dois!
    Josy Tortaro
    Autora da saga Os Quatro Elementos
    http://sagaosquatroelementos.blogspot.com/

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  2. eu nao conhecia nenhum dos livros e nem o autor... já escreveu bastante!!! gostei da entrevista

    bjs

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